Souzinha,apesar de viver em um país que há mais de quarenta anos tem inflação,ainda não conseguiu raciocinar com ela.Certo dia,falou-me:-A inflação nos meses subsequentes ao último aumento de salário(melhor seria dizer reajuste) foi de 8% e 7%.Já perdi com isso 8% + 7% = 15% do meu salário.
Corrigi:
-Não é 15%,é outro valor.
Souzinha respondeu:
-Já sei,já sei. O cálculo exato é 1,08 x 1,07 = 1,1556, ou seja, 15,56%.
-Continua errado,insisti.
Souzinha bateu o pé e saiu murmurando baixinho,mas suficientemente alto para que eu pudesse ouvir:
-O Botelho não tem jeito,está sempre arrumando coisinhas para discutir.
Afinal,quem está certo,Souzinha ou eu?
Resposta:
É claro que sou eu que estou certo e Souzinha está errado.Admitamos que Souzinha ganhasse 100 000 unidadesde dinheiro e usasse essa quantia para comprar unicamente produtos de valor unitário 100.Logo,ele compraria, inicialmente, um total de 1000 produtos.Se a inflação foi de 8% no primeiro mês após o aumento e de 7% no mês seguinte,o produto padrão que custava 100 passará a custar 100 x 1,08 x 1,07 = 115,56.
Custando o objeto padrão 115,56 e Souzinha continuando a ganhar 100 000, ele poderá comprar 100 000 / 115,56 = 865.Logo, a redução da capacidade de compra terá sido de 1000 - 865 / 1 000 = 13,5%.
Certo Souzinha?
(Assim, mesmo quando a inflação acumulada for de 100%,o nosso salário não some,mas nosso poder de compra cai 50%)
(Artigo de Manoel Henrique Campos Botelho,Revista do professor de matemática, n°20-1° quadrimestre/92)
